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Junta de Freguesia de Espinhel
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D. MANUEL BAPTISTA DA CUNHA (1843 – 1913) -
Arcebispo de Braga

D. Manuel Baptista da Cunha nasceu no lugar de Paradela, Freguesia de Espinhel e Concelho de Águeda no dia 16 de Abril de 1843.
Fez os seus estudos em Aveiro e Coimbra onde se matriculou nas Faculdades de Teologia e Direito em Outubro de 1864.
No dia 15 de Junho de 1868 recebeu o grau de Bacharel em Teologia, no dia 5 de Julho de 1869 concluiu a Licenciatura em Direito e em 1870 celebrou a sua primeira missa.
Durante algum tempo exerceu advocacia em Águeda tendo recebido o convite do Dr. Augusto de Sousa Lima, Vigário Geral Substituto e professor de Teologia no Seminário de Aveiro de 20 de Julho de 1871 até 1881. O Bispo D. Manuel Correia de Bastos Pina convidou-o para leccionar as cadeiras de História Eclesiástica e Teologia Moral no Seminário de Coimbra. Ali permaneceu desde 1882 até ao final de 1887.
No dia 30 de Janeiro de 1888 foi nomeado provisor e vigário -geral do patriarcado de Lisboa, tomando posse do cargo.
Após a morte de D. António José Freitas Honorato, Arcebispo de Braga, ocorrida em Dezembro de 1898, D. Manuel Baptista da Cunha foi apresentado, no dia 3 de Fevereiro de 1899, como novo Arcebispo daquela Arquidiocese e confirmado pelas Letras Apostólicas de Leão XIII Apostolatus Officium, expedidas em 23 de Maio do mesmo ano.
Convém realçar que D. Manuel Baptista da Cunha governou a Arquidiocese bracarense num dos períodos mais perturbados da sua história: final da Monarquia, Instituição secular, e princípio da República, implantada por uma revolução e consequentes excessos.
No dia 3 de Agosto D. Manuel Baptista da Cunha recebeu o pallio na Sé Catedral de Coimbra pelo Bispo – Conde Bastos Pina tendo chegado a Braga no dia 9 do mesmo mês.
É importante também destacar a recepção feita ao novo Arcebispo na sua terra natal, onde os seus conterrâneos lhe fizeram uma brilhante recepção. O Clero de Águeda brindou mesmo o Arcebispo de Braga com um valioso cordão e cruz peitoral em ouro que o mesmo passou a usar na sua indumentária diária.
A recepção em Braga não foi menos calorosa pelos locais e pelo Clero. Após a sua chegada à Estação seguiram para a Sé Catedral para uma Cerimónia que teve toda a pompa que a circunstância merecia. A Cerimónia terminou com a entoação de um solene Te – Deum.
No dia 11 de Fevereiro de 1900 o Ministério da Justiça ao Embaixador de Portugal expediu uma Carta régia à Santa Sé propondo como novo Cardeal Nacional, o Arcebispo Primaz D. Manuel Baptista da Cunha. Segundo o Monsenhor José de Castro a proposta estava a ser estudada na Santa Sé e tudo indicava que iria ser aceite.
Contudo no dia 25 de Junho do mesmo ano cai o Ministério progressista da presidência do Conselheiro José Luciano de Castro, sendo substituído por um Ministério regenerador, presidido pelo Conselheiro Hintze Ribeiro sem a Santa Sé ter feito a nomeação do Cardeal. Como os ideais daqueles dois partidos são antagónicos, o Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha não teve o apoio do novo Ministério e a proposta não vingou.
Ainda em 1900, D. Manuel Baptista da Cunha foi um impulsionador do Jubileu do Ano Santo, tendo presidido à peregrinação a Roma na companhia de outros prelados portugueses.
Os anos seguintes ao Jubileu foram dedicados pelo Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha à visita pastoral à Diocese onde visitou dezenas de paróquias e crismou milhares de cristãos.
Da intensa actividade de D. Manuel Baptista da Cunha sobressaem a publicação de diversas Cartas pastorais e a atenção cuidada para as celebrações litúrgicas e respectivos cânticos sacros.
No dia 28 de Maio de 1907 o Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha anunciou por um Edital passado na sua casa de Paradela que Pio X, atendendo ao pedido que lhe dirigiu depois das solenes festas jubilares da Imaculada Conceição da Virgem Santíssima celebradas na Arquidiocese de Braga, se dignou a elevar perpetuamente à Categoria de Basílica Menor extra Urbem a Igreja Metropolitana e Primacial de Braga, dedicada à Virgem Mãe de Deus.
Dando continuidade à Encíclica de Pio X sobre a catequese, o Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha publicou no dia 1 de Novembro daquele ano uma Pastoral mandando executar a referida Encíclica ordenando que se fizesse o ensino da doutrina cristã às crianças e que os párocos marcarem também uma hora para catequizar os adultos.
Com a proclamação da República no dia 5 de Outubro de 1910, o Governo Provisório decretou medidas anti – católicas que desagradaram ao clero e até mesmo ao Papa Pio X que se pronunciou contra ela. Seguiram-se os arrolamentos dos bens da Igreja e expulsão do Arcebispo do seu Paço (tendo partido para a sua casa de Paradela) bem como dos Párocos das suas residências e Seminário Conciliar.
A 5 de Janeiro de 1912, o Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha expediu uma circular que fez distribuir pelos Vigários Gerais e Arciprestes mostrando o seu desagrado pelas medidas propostas pelo governo e pela proibição da cedência dos Seminários.
O Governo respondeu à citada circular com o Decreto de 12 de Fevereiro seguinte, condenando-o à pena de desterro para fora do Distrito de Braga por dois anos para além da perda dos benefícios materiais do Estado a que, porventura, tivesse direito.
Após o desterro na sua terra natal, onde presidiu às celebrações eucarísticas, foi convidado para Vila do Conde. Tendo aceite o convite para ali partiu participando nas maiores celebrações litúrgicas da Semana Santa e administrando o crisma a milhares de fiéis.
Viria a falecer no dia 13 de Maio de 1913 em Vila do Conde vítima de AVC.
Após as exéquias fúnebres o corpo do Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha ficou no jazigo da família Beiral Rocha sendo, posteriormente, transportado para o Cemitério de Paradela, sua terra natal, onde repousou com o simples epitáfio:


AQUI JAZ
O ARCEBISPO DE BRAGA
D. MANUEL BAPTISTA DA CUNHA.
NASCEU EM PARADELLA A 16 DE ABRIL DE 1843.
FALLECEU EM VILLA DO CONDE A 13 DE MAIO DE 1913.

Posteriormente o seu corpo foi trasladado para a Sé de Braga.

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